24/09/2016

Partidos políticos e violência eleitoral

Quer gostem ou não, tenho para mim que qualquer discussão séria sobre este assunto em Cabo Verde que não passe por uma reflexão a partir deste artigo é uma mera manobra de cosmética política e científica à la moda cabo-verdura.  

17/09/2016

Da promoção da imbecilidade intelectual

Que em Cabo Verde as instituições do ensino superior são geridas como que se do quintal do chefe e equipa dirigente se trata não é novidade. Que na Universidade de Cabo Verde, a rídicula política de criação e gestão dos cursos visa tão somente garantir horas ao corpo docente da casa e barrar a entrada de corpos estranhos à coorporação é pública. O que me espanta é como que um Professor Doutor cabo-verdiano, com melhor currículo que a esmagadora maioria dos docentes que ali vegetam, ex-professor universitário e pesquisador nos EUA com uma extensa rede de grupos de pesquisa no nosso continente é dado nota zero na sua área científica, naquela coisa bastante duvidosa que insistem em chamar de concurso. A continuar assim, a tal conversa de excelência, rigor etc e tal do ensino superior cá da casa já nem ao inglés conseguirá enganar.

[Imagem de Caras Ionut]

16/09/2016

In Memoriam


Tenho para mim, que pela forma como geriu o conturbado contexto político dos finais dos anos de 1990, um Presidente da República referência para os que ambicionam lá chegar.   

14/09/2016

Teoria Queer e a questão homossexual em Cabo Verde

Sobre o "casamento gay" na ilha da Brava, o que se espera é que volte a colocar a questão homossexual na agenda pública (e política), enfrentando o tal Sistema Hipocrisia (que se estende à cena da CRASDT) apontado neste interessante artigo, recentemente publicado no Brasil, com o título: ""Hipocrisia": a visão dos gays cabo-verdianos sobre o seu próprio sistema de género". E para aprofundar a reflexão, ""I want to marry in Cabo Verde": reflections on homosexual conjugality in contexts".

13/09/2016

Sobre a(s) juventude(s)

Desde 2008 tenho trabalhado a questão juvenil cabo-verdiana nas suas mais variadas dimensões e suas respectivas políticas em projectos de pesquisa comparativa, publicações académicas e encontros científicos, o que de me dá uma certa legitimidade de opinar sobre as políticas públicas para o sector da juventude em Cabo Verde. Sendo verdade que acho uma boa ideia a transferência dos centros da juventude para a tutela dos municípios e a extinção do Ministério da Juventude, a extinção da Direcção Nacional da Juventude não passa de um erro político (caso não se gostasse do nome, mudava-se para algo como Instituto, Gabinete, Conselho e podia perfeitamente ficar sob a tutela do Gabinete do Primeiro-Ministro caso os Ministérios do Desporto, da Educação ou mesmo da Cultura, tendo em conta a nossa realidade, não o quisesse) baseado em achologias pseudo-científicas promovidas por tudólogos profissionais. Quem conhece a literatura especializada e estuda o fenómeno juvenil sabe que é crucial haver uma estrutura, mínima que seja, com a missão de pensar políticas articulandas com outros sectores, e, sobretudo, regulamentar, fiscalizar e avaliar os eixos norteadores avançados pelo novo Programa do Governo. Considerar a juventude cabo-vediana uma prioridade para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e equilibrada fica bonito no papel mas necessário é interrogarmos como é que um único Conselheiro vai conseguir fazer isso. Ao que parece, não se quer aprender com os erros do passado. Embora considere que as orientações estratégicas para o sector herdada do anterior executivo reproduz inconscientemente a criminalização de uma certa juventude, a assunção actual da ideia da transversalidade dos problemas dos jovens segue a mesma lógica criminalizante e homogeneizante da política anterior. Por fim, o que deve ser realçado é que ao contrário do discurso colonial repropuzido pelo rap nacional, activistas socio-culturais, políticos, consultores e pesquisadores de gabinete, a juventude cabo-verdiana está longe de estar perdida, no sentido que lhe se quer dar.
  
[Na imagem "Gerasom Perdido" de Pex, 2014]

12/09/2016

25 anos de "smells like teen spirit" dos Nirvana

Nos idos anos de 1990, no Liceu Domingos Ramos, enquanto quase toda a malta curtia ser yo, uma minoria, do qual fazia parte, era grunge, uma mistura de metal e punk com o do it yourself como filosofia de vida e smells like teen spirit como banda sonora. Havia cenas de gangues, "ganza" e pancadaria que se bastasse, mas nada de mortes e afins. Para alguns estudiosos, este foi o início do fim da era ideológica. Para mim, foi uma década de rebeldia que nada tinha de niilismo e o espírido teen continua inalterado.

07/09/2016

Eu e os 56,5%

Primeiramente eu não voto e sou da equipa dos 56,5%. Não meramente por rebeldia ou como parte de uma manifestação anti-política, mas por achar que fazer política não se limita ao dia de colocar a coisa na urna e, sobretudo, porque nenhuma das cinco candidaturas na Praia me disseram alguma coisa. Isto de voto em branco é muito bonito mas não me diz nada e idiota do cientista ou analista político que ignore a compreensão qualitativa da abstenção na análise das eleições dos novos tempos.

Preferindo evitar falar do PAICV e do seu erro de casting comunicacional e político, reconheço que a equipa suportada pelo MPD fez, nos últimos anos, um bom trabalho na Praia. em matéria de levantar o auto-estima dos praienses depois do furacão Filú e na arte da cosmética urbana. A sociologia urbana chama a esse segundo processo de esteticização urbana, o que quer dizer que é necessário muito mais para que de facto se alcançe o tão falado bem-estar social. que da minha felecidade trato eu.

Sinceramente, não vejo como que uma equipa que confunde política urbana com política imobiliária ou edificação de minis fitness park e afins com política de promoção de espaços públicos conseguirá alcançar o chamado urbanismo de coesão social, mas temos os próximos quatro anos para ver se a malta abre a pestana, sem grandes expectativas e djobendu senpri pa ladu.

Sobre as restantes candidaturas, o mês do carnaval que eu saiba é em Fevereiro, embora a malta da cidade dos mandingas inventou a cena do carnaval de verão.

[Imagem sacada na net]