21/10/2018

Marginalidade territorial e inclusão

"'Violensia ben na txeia': marginalidade territorial e inclusão", publicado na última edição do Jornal A Nação, é o primeiro de uma série de pequenos artigos de opinião que comecei novamente a publicar em jornais impressos. Sem a pressão de ter publicações semanais ou quinzenais num ou noutro jornal, os artigos irão se debruçar sobre questões urbanas, culturas infanto-juvenis, cultura hip-hop, deportações, participação sociopolítica, gangues de rua e criminalidade organizada, temas que venho refletindo nos últimos anos em vários projetos de pesquisa e apresentando em vários encontros acadêmicos, bem como em reuniões de cariz social ou político tanto no país como no estrangeiro. 

[Na imagem Baía da Gamboa, Praia. Foto: RWL, 2017]

18/10/2018

A luta continua...

Embora é comum afirmar que a blogosfera cabo-verdiana sucumbiu perante o advento do facebook, sem descurar desse discurso, tenho para mim que a razão mais forte da sua entrada em coma foi a cooptação institucional e/ou político-partidário a partir de 2010 das suas vozes mais fraturantes. Pessoalmente sou de opinião que as postas do blogue, devido ao seu caráter permanente, ao contrário das postas do facebook, que possui um caráter mais efémero, funciona melhor como uma espécie de instrumento "situacionista" e é neste sentido que entendo a entrada do blogue A Luca Continua de Alexssandro Robalo, ativista do Movimento Federalista Pan-Africano, no que resta do universo blogosférico cabo-verdiano, com o objetivo de servir como uma plataforma pan-africana de reflexão e discussão política apartidária. 

16/10/2018

Da cultura do yes man

Pierre Clastres, antropólogo e etnólogo francês, na sua obra maior A Sociedade Contra o Estado, publicado em 1974, fruto do seu trabalho junto de tribos indígenas da América do Sul, entre 1962 e 1974, entende que "desde que há homens, houve também rebanhos humanos (associações raciais, comunidades, tribos, povos, Estados, Igrejas) e muitos a obedecer, em relação ao pequeno número dos que comandavam". Ou seja, que a obediência foi exercitada e cultivada duradouramente ente os homens, o que nos leva a pressupor que hoje, de um modo geral, há em cada indivíduo uma predisposição inata para isso, como um modo de consciência formal que ordena: "deves fazer incondicionalmente certas coisas e não fazer incondicionalmente outras".  

Capítulo 11 do livro digitalizado pelo coletivo Sabotagem.

[Imagem sacada na net]

27/09/2018

The revolution will not be televised

O assistencialismo mediático ou o espetáculo da caridade é definido como uma prática de legitimação social executada através dos meios de comunicação social de massa, hoje conhecido por redes sociais. Em termos reais, esta prática ajuda muito pouco, trazendo apenas benefícios pontuais e superficiais, mas sem transformar a sociedade. Trata-se, portanto, de um culto de personalidade e de criação clientelista com uma longa história nas ilhas, reatualizado pelos caciques partidários no pós-anos de 1990. Nos casos mais próximos de uma suposta emancipação social, resulta na criação de cidadãos inócuos... e o pior é quando se associa a sua pratica a um suposto ativismo político revolucionário. Adaptando Gil Scott-Heron há coisa, the revolution will not be televised...

[Imagem apanhada na net]

24/09/2018

Sobre a criminalidade e afins


Enquanto que nas ilhas, até onde sei, país normalmente posicionado nos lugares superiores do topo dos rankings de transparência, democracias e afins em África e arredores, a malta passa pelo governo e cargos administrativos estatais de topo, onde praticam descaradamente associação criminosa, falsificação, tráfico de influências, burla, peculato, branqueamento de capitais, etc e tal, não só no pasa nada como saem com estatuto de empresários, homens de sucesso ou pretos e mestiços honrados e de bem.  

[Na imagem membros dos Yakuza, 1985. Fofo: AP]