27/12/2016

Ode à estupidez

"Quando os badios trabalhavam com correntes nos pés, nós já brincávamos o carnaval em liberdade. Agora querem o que é nosso? Vão tocar tabanca! Não queremos o vosso batuque e as vossas africanices!" - Fernando Morais

Não conheço o gajo, nem vi em primeira mão o comentário, mas dizem que é real e que o gajo é um dos grandes artistas de carnaval da terra. Pode até ser. Contudo, a ignorância, além de ideológica, também é uma arte. Primeiro, quando os santiaguenses (que o nome badios deve-se à sua condição de livre autoproclamado) trabalhavam com as correntes nos pés, não existia nem são vicentinos, muito menos carnaval no Mindelo. Segundo, o problema não é a baboseira escrita pelo tal de Fernando Morais, que o coitado, por ter escrito o que escreveu, mostra não ser outra coisa senão um idiota. O problema é aquela boa parte de gente com este mesmo pensamento ideológico, que regojiza-se com a coisa dita por este energúmeno, mas que esconde-se atrás do Sistema Hipocrisia da terra, mostrando-se momentaneamente chocada. 

Vai ver o carnaval do Mindelo é algo cheio de "europeizices" e os mandigas são assim uma encarnação de vikings crioulos... e o idiota sou eu.    

[Imagem]

23/12/2016

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Sobre esta notícia, o que há a dizer é que se Zemas reúne todas as condições para Secretário Executivo da Comissão Executiva para a África não sei, mas que mudou estruturalmente o país não tenho dúvidas, sobretudo na reprodução do parasitismo estatal, desperdício organizado e no reforço do sistema de nepotismo. Passado o testemunho, outros protagonistas se posicionam. Contudo, os affaristi continuam os mesmos. Aquela malta surfista, que passando por empreendedores, agem normalmente à sombra do sistema político-partidário que lhes permite obter pequenos monopólios e contratos vantajosos. 

16/12/2016

Redefinições

As filmagens aconteceram entre os anos de 2007 e 2008, a primeira exibição pública em modo work in progress aconteceu em 2008, na FCSH-UNL, em Lisboa, com os comentários de Catarina Alves Costa e José Luis Hopffer Almada. A segunda foi uma espécie de ante-estreia privada, em 2013, no sala de eventos do BCA, na Praia. A terceira, a estreia propriamente dita, num formato final experimental, foi no Plateau - Festival Internacional de Cabo Verde, em 2014, na Praia. 

De cara lavada, o produto final está finalmente pronto. 

Ver trailer aqui.

[Na imagem capa Redefinições, 2016] 

27/11/2016

Wake Up Afrika from STP

"Sobretudo Mulher" by Wake Up Afrika. 

Trabalho enquadrado num projecto recente promovido por uma jovem artista são-tomense, assente na ideia do pan-africanismo, que tem como objectivo contribuir para o despertar do continente africano através da valorização dos seus costumes, tradições, patrimônios, culturas e, acima de tudo, dos seus recursos humanos.

Adenda: no Buala.

20/11/2016

Make American Great Again

Por mais idiota que possa aparecer, a triologia The Purge (1, 2, 3) é a narrativa que melhor caracteriza o actual estado sociopolítico norte-americano...    

[Imagem sacada da net]

03/11/2016

Nós e a herança lombrosiana

Não da sentença em si, que coisa diferente não se poderia esperar, mas da justificação: "O Tribunal considerou Antany um 'psicopata de grau grave' não sendo isso uma 'doença', mas sim uma 'condição com que se nasce e se morre' e que não tem tratamento." O certo é que os nossos Juízes e classe afins, ou parte dela, encontram-se ainda no século XIX e o pensamento lombrosiano faz escola nas ilhas...

02/11/2016

Das continuidades históricas

Na edição n. 2, do Jornal O Manduco, de Setembro de 1928, com o título "Administradores... de concelhos", escreve-se o seguinte:

"São funcionários por nomeação arbitrária (...). Não representam os interesses legítimos do município senão os particulares da entidade que o nomeou. A sua função não é nem mais nem menos que uma consentida espionagem política. Daí a sua absoluta sujeição às vicissitudes das lutas partidárias. Mas em Cabo Verde temo-los visto agarrados sofregadamente ao cargo como modo de vida ou como pedestal de imaginadas grandesas e reais mesquinhas vinganças. A vida e na verdade um oceano de miséria (...) um e o outro não largam o osso por mais pontapés que apanham."

Quase 90 anos após este texto (hoje diríamos post), a coisa não mudou muito nestas ilhas à beira-mar a secar.

[Na imagem Glenn by Jean-Michel Basquiat, 1984]